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Baby Led Weaning e Montessori... Será que se relaciona?

Para quem acompanha o blog e a página do Facebook, sabe que muitas das minhas partilhas são sobre Montessori, esta forma especial de olhar o crescimento e o desenvolvimento da criança caminhando ao seu lado e promovendo a sua autonomia e autoconfiança. Estou muito longe de ser uma mãe puramente Montessori mas muito daquilo que este método nos ensina faz sentido na minha caminhada enquanto mãe e faz sentido na minha família. 

Há uns dias encontrei um post do blog Welcome to Mommyhood - Montessori-inspired living & Learning com o título "Introducing solids: Baby led weaning and Montessori weaning" e não pude deixar de ficar curiosa ver estes dois termos em conjunto. Para quem ainda não ouviu falar de Baby Led Weaning (ou BLW) - termo criado por Gill Rapley, trata-se de uma forma de introdução da alimentação complementar a partir dos 6 meses de vida do bebé, permitindo-lhe, desde cedo, o contacto com os sólidos e as suas texturas. Através desta bordagem, não existem alimentos proibidos, transformando a hora da refeição numa experiência interactiva e positiva e promovendo o desenvolvimento das capacidades motoras e de coordenação da criança (particularmente a motricidade fina e a coordenação mão-olhos) ao mesmo tempo que desenvolve a capacidade de mastigação. Todo o processo de alimentação é decidido pela criança, pois o adulto limita-se a disponibilizar os alimentos, sendo a criança que escolhe qual o alimento que vai comer primeiro e a quantidade que vai comer. 

Tanto em BLW como em Montessori, a alimentação é encarada como mais um momento de descoberta que é proporcionado à criança, permitindo-lhe explorar os alimentos ao seu ritmo. Conforme surge no post da Welcome to Mommyhood, "Ambos retiram qualquer força ou coerção no que respeita à alimentação. Eles respeitam a capacidade da criança para se alimentar sozinha e também a saber quando está cheia. Ambos os métodos são fortemente baseados na construção da independência da criança. A criança decide quanto quer comer e come ao seu ritmo. Este é realmente um grande princípio para o desenvolvimento de padrões alimentares saudáveis. É por isso que a criança aprende a confiar no seu instinto de apetite. Quando somos nós a alimentar a criança, somos nós a decidir quanto a criança deve comer. Transmitimos a mensagem de que não acreditamos/confiamos quando eles dizem que estão cheios". E será que é isto que pretendemos para as nossas crianças?

Apesar destes pontos comuns entre BLW e Montessori, ao olhar para a abordagem original de Maria Montessori, vemos que existem diferenças: Montessori defendia que os alimentos deveriam ser dados aos bebés sob a forma de puré constituído por um único alimento, permitindo à criança que conhecesse e desfrutasse do sabor único de cada ingrediente e desencorajado a mistura de sabores. Por outro lado, a forma de apresentação da comida e de fazer a refeição é também diferente: em BLW, os alimentos são colocados, na maior parte das vezes, no próprio tabuleiro da cadeira de refeição da criança, sem recurso a utensílios. Já para quem segue Montessori "à risca", existirá em casa uma mesa e utensílios à dimensão da criança, promovendo a sua utilização desde cedo, mostrando-lhe que consegue fazer sozinha. E agora podem vocês perguntar-me... "Tendo tu tanto interesse em Montessori, o BLW faz sentido para ti?". Bem... Confesso que, quando fui ler um pouco mais sobre a alimentação em Montessori e descobri esta parte da alimentação dada em puré, fiquei assim um pouco sem saber o que pensar... Tal como disse no início, estou muito longe de ser uma mãe puramente Montessori por isso acho que tudo o que puder fazer para desenvolver a independência do meu filhote é bom e por isso o BLW faz sentido. Mea culpa também vos confesso que não segui BLW de forma pura... Sim, o meu filho comeu sopa em forma de puré e fruta cozida passada no início. Mas desde há um bom tempo que ele já come os sólidos "tal como eles são". Incentivo-o a tocar nos alimentos, descobrir as suas texturas e o seu cheiro, sentando connosco à mesa. Ajudo-o também a utilizar a colher e o garfo para que possa ir desenvolvendo esta componente motora. Mas se quiser tocar nos alimentos com a mão, porque não? Acima de tudo, não quero que ele se sinta de parte de alguma forma durante a hora da refeição e também não quero que ele não conheça os alimentos, tal como eles são. Quero que o meu filhote consiga fazer por si mesmo, que explore, que descubra os sabores de que gosta e aqueles que não quer voltar a repetir... Acima de tudo, quero que tenha confiança nos seus movimentos e que saiba que o mundo não acaba se ele deitar comida ao chão... Faz parte do crescimento sujar um pouco... Nós também não nascemos ensinados a comer, não é verdade?

Sugestões de livros sobre BLW:




Blogs com receitas em modo BLW:
Healthy Bites, o blog amigo da Happy Mom descomplicada - Aqui encontram imensas receitas e sugestões de ementas para além de poderem participar em um dos muitos workshops organizados pela autora do blog. Podem também ler o que a autora do Healthy Bites escreve na revista bimestral Paleo XXI, onde escreve sempre sobre BLW. Aconselho!
Na Cadeira da Papa - Foi neste blog que descobri o termo BLW. Aqui encontram também muitas receitas e sugestões de como aplicar o método em casa e a Leonor é a autora do livro "Mãe, quero mais!"

Links de alguns artigos sobre BLW:

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