Avançar para o conteúdo principal

Picadas, dúvidas e alguns meses pela frente

Uma gravidez é, por si só, sinónimo de muitos receios, de cuidados redobrados e de algum stress para qualquer mãe. A cada trimestre que passa e a cada novos exames e ecografia, parece que é mais um patamar da escada que se sobe e está-se cada vez mais perto do grande momento. E uma gravidez pode decorrer sem sobressaltos... Ou ser acompanhada de mais algum stress que nos faz ter ainda mais cuidados...

Todas as grávidas já terão feito ou já terão ouvido falar sobre a famosa Prova de Tolerância à Glicose Oral (PTGO), feita no 2º trimestre da gravidez (entre as 24 e as 28 semanas de gestação), destinada a fazer o diagnóstico da diabetes gestacional. Esta famosa prova em que se tem de beber um líquido extremamente doce e tirar sangue três vezes (em jejum, passada 1h de ter bebido o líquido e passadas 2h). Mas o que é afinal a diabetes gestacional? Segundo o site Nove Meses, a diabetes gestacional traduz uma intolerância aos hidratos de carbono detectada durante a gravidez e que pode ser causada por alterações na sensibilidade à insulina devida à gestação, já que a placenta possui a capacidade de produzir uma hormona (com o nome de lactogénio placentário humano) que se opõe ao efeito da insulina produzida pelo nosso organismo, levando a que a grávida tenha de produzir quantidades adicionais de insulina no seu pâncreas para contrariar o efeito desta hormona. E nem todas as grávidas conseguem dar resposta a esta necessidade... E eu fui uma delas...

Logo na consulta e com as análises do primeiro trimestre, foi-me feito o diagnóstico da diabetes gestacional  e nem cheguei a efectuar a análise do 2º trimestre. Posso dizer que foi um dia em que me assustei ao saber que teria de ser encaminhada para a Endocrinologia, onde passei a fazer consultas mensais até ao final da gravidez, acompanhadas de consultas de Nutrição. Ao mesmo tempo, as picadas diárias no dedo, tanto em jejum como após as refeições, passaram a fazer parte da minha rotina e posso dizer que cheguei a um momento em que já não podia mais ouvir o barulho daquela maquineta todas as manhãs quando acordava... Foram cerca de 7 meses com cuidados redobrados, idas ao médico, muita atenção às glicémias, muitas caminhadas para facilitar a metabolização dos açúcares e uma alimentação cuidada. E porquê?

Ter diabetes gestacional pode ser sinónimo de, fruto do pâncreas da mãe não conseguir produzir a insulina em quantidade suficiente, o pâncreas do bebé trabalhar no sentido de produzir insulina adicional para reduzir o teor em glicose que atravessa a placenta. Por o bebé receber mais energia do que aquela de que necessita, pode tornar-se um bebé de tamanho excessivo (designado por macrossomia) e de maior probabilidade de traumatismo no parto: maiores complicações para as mães no pós-parto, sofrimento fetal e bebés com maior tendência para a obesidade. Do facto do bebé ser grande, pode haver uma probabilidade acrescida de realização de uma cesariana ou da mãe desenvolver hipertensão. 

Felizmente, consegui controlar a diabetes gestacional apenas com a alimentação e o exercício, sem necessidade de toma de insulina durante a gravidez. No pós-parto, fiz a PTGO como reclassificação e o veredicto foi o melhor: nada de diabetes! Ainda que tenha maior probabilidade de ter novamente numa próxima gravidez...

O que posso deixar de conselho é aconselharem-se com o vosso médico no sentido de terem o melhor acompanhamento possível caso os açúcares vos troquem as voltas. Procurem um nutricionista e um endocrinologista que vos darão os melhores conselhos e acompanhamento nesta fase tão importante. Picar o dedo todos os dias custa, é verdade... Aborrece termos de andar sempre a anotar números e a ver se está tudo dentro dos números que vos disseram como ter sempre em mente... Mas é pela melhor razão do mundo: garantir que tudo corre bem convosco e com o vosso bebé!

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Ambiente preparado e Ikea... O quarto dos mais pequenos

Propositadamente, quando escrevi o primeiro post sobre ambiente preparado e Ikea que podem ler aqui, não comecei por escrever sobre o quarto dos mais pequenos. Nos vários grupos de mães que vou acompanhando no Facebook (que não específicos sobre Montessori), a primeira questão que a maioria coloca é onde encontrar a famosa cama casinha para se construir um quarto montessoriano. E é aqui que, talvez, começa por se ter a abordagem menos adequada a Montessori e a aplicarmos esta pedagogia em nossas casas. Primeiro, convém desmistificar que uma cama em forma de casa, ainda que esteja à altura do chão e permita à criança entrar e sair livremente, não é fielmente Montessori. Trata-se de um modelo de cama de inspiração nórdica e que, por acaso, também tem o colchão perto do chão. Está na moda e muitas marcas vendem-se como sendo Montessori mas convém ter presente que este método se caracteriza, acima de tudo, por uma enorme simplicidade na forma como se prepara ao ambiente para a criança. N…

A começar a incentivar a pintura... das paredes cá de casa!

Durante o fim-de-semana partilhei na página do Facebook do blog, uma foto com as mais recentes aquisições cá de casa destinadas a criar um cantinho de artes para o baby boy. Sim, apesar de estar a comprar estas coisas muito animada ao mesmo tempo já estou a imaginar toda uma decoração nova nas paredes cá de casa. Já estou a imaginar uns dedinhos pintadinhos de verde ou de laranja a deixarem a sua marca nas paredes e no chão, qual Picasso em formação! Aqui ficam algumas das comprinhas...

Adiante que coração de mãe sofre sempre por antecipação e imagina sempre os piores cenários...
Em conversa com a educadora do meu filhote, descobri a marca Giotto, uma marca existente desde 1920, destinada a fazer as maravilhas dos mais pequenos e dos graúdos na altura de desenhar, pintar e colorir o dia com as cores do arco-íris. Os produtos desta marca são os mais variados possível, indo desde aguarelas, lápis de cera e de cor, a maquilhagem, a plasticinas e guaches laváveis. Para além do mais, tem u…

Ambiente preparado e Ikea...Porque não?

Na semana passada publiquei um breve post em que dava algumas sugestões para os quartos dos mais pequenos a partir de peças do Ikea e da Vertbaudet. Numa manhã a caminho do trabalho, fui presenteada com o novo catálogo dessa catedral de decoração que é o Ikea e lancei uma pergunta na página do Facebook que foi muito bem recebida. E que pergunta era essa? Gostariam de ver um post em que juntasse Montessori e o novo catálogo que recebi?  Dada a curiosidade com esta minha ideia, aqui estou eu a colocá-la em prática...
Mas primeiro vamos ver o que é o ambiente preparado pois afinal de contas é esse o título deste post, não é verdade? Para quem conhece a pedagogia Montessori,  o ambiente preparado surge como uma parte fundamental desta pedagogia: o ambiente deverá estar adequado à criança,  seja pela sua idade ou tamanho, e as seus interesses, ao mesmo tempo que promove a sua autonomia, permitindo que se desenvolva ao seu ritmo e sem pressões ou interferência dos adultos.
Apesar de não s…