Avançar para o conteúdo principal

Vacinas: bicho papão ou bicho amigo?

Qualquer pai, seja de primeira viagem ou não, sabe que o dia de vacinas do filhote é sempre um dia difícil. O bebé chora quando leva a famosa "pica", nos dias seguintes fica febril e mais tristonho e o nosso coração fica apertadinho por o vermos assim sem poder fazer muito mais do que dar muito colinho e mimo. 

Ao pesquisarmos na Internet sobre a vacinação, particularmente em bebés, não são poucos os casos dramáticos de efeitos secundários da administração de vacinas que vão muito para além de reacções cutâneas, menor actividade ou febre. Os casos que nos surgem remetem-nos, por exemplo, para o espectro do autismo ou mesmo a morte da criança devido a uma reacção exacerbada à vacina que recebeu. Obviamente que este tipo de notícias nos deixa de coração muito, muito apertado e pode mesmo levar-nos a equacionar vacinar ou não, em particular no que respeita às vacinas extra-plano habitualmente indicadas por pediatras. Este é um assunto sempre controverso e a opção cabe sempre a cada casal, sendo que deve sempre ser uma decisão o mais ponderada possível e baseada preferencialmente em informação científica de fontes credíveis. Por aqui, está a terminar-se a leitura do livro "Deixe-os comer terra" que tem um capítulo especialmente dedicado às vacinas intitulado "As vacinas funcionam". E este capítulo não poderia iniciar de uma forma mais bem escrita para nos colocar a pensar sobre os efeitos da não-vacinação. É descrito o caso de uma criança que ficou impossibilitada de concretizar o seu sonho de ir à Disneyworld devido a um surto de sarampo que obrigou à recomendação de todos os que não estivessem vacinados evitassem a visita a este parque e por a sua irmã, ainda muito pequena, não estar ainda imunizada contra esta doença. Quando se toma a decisão de não vacinar devido aos possíveis efeitos secundários da administração da vacina ou por considerarmos que já não existe perigo quanto aquela doença devido à inexistência de casos diagnosticados, muitas vezes não se pensa quanto aos perigos a que poderemos expor os nossos filhotes. Os autores do livro referem o seguinte:

"Não é fácil tomarmos decisões com esta quantidade de informação à nossa volta, mas, por favor, não caia nos blogs de acesso rápido nem nos artigos "orientados para a saúde", que promovem uma abordagem totalmente natural para proteger os seus filhos das vacinas. Não o faça, a menos que decida mudar-se para o meio do mato, longe da sociedade. As doenças infecciosas são uma realidade quando vivemos em grandes grupos de pessoas; existem há tanto tempo como nós. A única razão pela qual os nossos filhos não sofrem com elas, hoje em dia, é por causa das vacinas e, sem vacinação, não há outra alternativa a não ser vermos essas doenças voltarem. Portanto, apesar dos casos extremamente raros em que causa reacções graves, as vacinas funcionam e são um dos medicamentos mais seguros do mundo."
Brett Finlay & Marie-Claire Arrieta, "Deixe-os comer terra". Edições matéria-prima

Como tudo na vida, não existem soluções perfeitas. Existem sim as menos imperfeitas que nos podem ajudar a viver neste nosso mundo em que existem bichinhos bons e outros menos bons e que precisam de ser afastados para que nada de mal aconteça. A vacinação (ou a opção por não vacinar) é sempre de cada mãe e de cada pai. Esta decisão deve sempre ser baseada em muita conversa e aconselhamento com os profissionais de saúde, considerando todos os riscos a que a criança possa estar exposta, locais que possa visitar e pessoas com que possa contactar (lembrem-se apenas dos viajantes que nos chegam de todas as partes do mundo, por exemplo, e com quem podemos contactar nos transportes públicos). É um assunto que requer muita ponderação e sobre o qual deveremos ler muito para tomarmos a decisão o mais consciente possível. Se puderem, leiam o livro de que vos falo neste post e num outro. Vale a pena e pode ajudar na vossa decisão.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Ambiente preparado e Ikea... O quarto dos mais pequenos

Propositadamente, quando escrevi o primeiro post sobre ambiente preparado e Ikea que podem ler aqui, não comecei por escrever sobre o quarto dos mais pequenos. Nos vários grupos de mães que vou acompanhando no Facebook (que não específicos sobre Montessori), a primeira questão que a maioria coloca é onde encontrar a famosa cama casinha para se construir um quarto montessoriano. E é aqui que, talvez, começa por se ter a abordagem menos adequada a Montessori e a aplicarmos esta pedagogia em nossas casas. Primeiro, convém desmistificar que uma cama em forma de casa, ainda que esteja à altura do chão e permita à criança entrar e sair livremente, não é fielmente Montessori. Trata-se de um modelo de cama de inspiração nórdica e que, por acaso, também tem o colchão perto do chão. Está na moda e muitas marcas vendem-se como sendo Montessori mas convém ter presente que este método se caracteriza, acima de tudo, por uma enorme simplicidade na forma como se prepara ao ambiente para a criança. N…

A começar a incentivar a pintura... das paredes cá de casa!

Durante o fim-de-semana partilhei na página do Facebook do blog, uma foto com as mais recentes aquisições cá de casa destinadas a criar um cantinho de artes para o baby boy. Sim, apesar de estar a comprar estas coisas muito animada ao mesmo tempo já estou a imaginar toda uma decoração nova nas paredes cá de casa. Já estou a imaginar uns dedinhos pintadinhos de verde ou de laranja a deixarem a sua marca nas paredes e no chão, qual Picasso em formação! Aqui ficam algumas das comprinhas...

Adiante que coração de mãe sofre sempre por antecipação e imagina sempre os piores cenários...
Em conversa com a educadora do meu filhote, descobri a marca Giotto, uma marca existente desde 1920, destinada a fazer as maravilhas dos mais pequenos e dos graúdos na altura de desenhar, pintar e colorir o dia com as cores do arco-íris. Os produtos desta marca são os mais variados possível, indo desde aguarelas, lápis de cera e de cor, a maquilhagem, a plasticinas e guaches laváveis. Para além do mais, tem u…

Ambiente preparado e Ikea...Porque não?

Na semana passada publiquei um breve post em que dava algumas sugestões para os quartos dos mais pequenos a partir de peças do Ikea e da Vertbaudet. Numa manhã a caminho do trabalho, fui presenteada com o novo catálogo dessa catedral de decoração que é o Ikea e lancei uma pergunta na página do Facebook que foi muito bem recebida. E que pergunta era essa? Gostariam de ver um post em que juntasse Montessori e o novo catálogo que recebi?  Dada a curiosidade com esta minha ideia, aqui estou eu a colocá-la em prática...
Mas primeiro vamos ver o que é o ambiente preparado pois afinal de contas é esse o título deste post, não é verdade? Para quem conhece a pedagogia Montessori,  o ambiente preparado surge como uma parte fundamental desta pedagogia: o ambiente deverá estar adequado à criança,  seja pela sua idade ou tamanho, e as seus interesses, ao mesmo tempo que promove a sua autonomia, permitindo que se desenvolva ao seu ritmo e sem pressões ou interferência dos adultos.
Apesar de não s…