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Restaurantes... Ou de como ter um filho não devia mudar tudo!

Tempo de férias.  Um dia de sol convida a passeios junto ao mar e a comer algo que ele nos dê.  O que se quer é peixe fresco, marisco e petiscos vários. A uma velocidade bem mais baixa do que nos dias de trabalho. O ar traz-nos o cheiro do mar, da praia. Parece que tudo nos convida a relaxar, a ficarmos mais tranquilos... Até à hora de encontrar um restaurante para almoçar...
Podem dizer-me assim: "ah é tempo de férias e por isso tornar-se muito mais difícil de conseguir um qualquer recanto para trincar um pão com manteiga e depenicar uma sardinha grelhada no carvão ". Não necessariamente... Até porque este sentimento que aqui vos descrevo já não vem deste fim-de-semana. Há já muito tempo que fico com a sensação de que a nossa sociedade não quer que pais de crianças pequenas frequentem certos lugares. Parece-me que o divertirmo-nos ou continuar a fazer coisas que fazíamos enquanto apenas casal nos estão agora totalmente vedadas porque incomodamos por ter um bebé e um carrinho... Promover a natalidade também passa por isto: tornar possível que haja tempo em família fora de casa.
Devo dizer que ontem deambulei bastante por uma vila à beira-mar plantada em busca de um restaurante em que fosse fácil de poder comer com o meu filhote. E ia ficando triste a cada restaurante por que passava por ver que o espaço para passar com o carrinho era quase inexistente (num deles nem sequer podia aceder à sala de refeições sem fechar o carro dado que o acesso se fazia unicamente através de umas escadas). E não era a única que tinha este problema pois vi mais casais à procura de um local para almoçarem descansados e tinham o mesmo problema do carrinho. Num outro restaurante, a entrada quase não dava para passar uma pessoa, quanto mais um carrinho de bebé... Fico triste por ser assim. Mas felizmente nem tudo é menos positivo quando se anda a passear...
Consegui encontrar um restaurante em que me senti mesmo bem. Houve logo a preocupação com o bebé e em colocar a cadeirinha junto da mesa da forma que nos fosse mais confortável e funcional enquanto família e não naquela que fosse melhor para o restaurante.  Houve a ajuda em tornar a mesa mais livre de pratos e talheres que não são tão amigáveis para um bebé de 15 meses. E quando, terminada a refeição e os pais gulosos esperavam pela sobremesa, houve espaço para serem dados brinquedos para o baby boy se entreter. Tudo sempre com calma e com a maior simpatia. E mesmo com pessoas à espera de mesa, não senti qualquer pressão do restaurante para me despachar. Nada. Mais baby friendly impossível.  Melhor atendimento impossível!
Numa sociedade em que se diz que se precisa de apostar na natalidade, há também que criar as melhores condições possíveis em espaços de restauração para podermos sair com as nossas crianças.  Porque ter filhos não deve ser sinónimo de se deixar de ter vida e se passar a vuver enclausurado em casa. Há que viver e ter tempo em familia fora de portas. E fico triste que estas questões nem sempre sejam primordiais para quem atende o público...

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