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Colo, apego, toque... Hoje e sempre!



Se existe assunto que não gera consenso e em que as opiniões são mais do que muitas é isto a que se dá o nome pomposo de parentalidade. Todos têm a sua receita infalível de como serem os melhores pais. Parece-nos sempre que a casa dos nossos amigos deve ser o céu no que às crianças diz respeito. O nosso filho parece ser sempre mais terrorista do que os demais. E quando se fala de comidas e de sonos... Ui então aí começa a desenrolar-se uma longa lista de queixas, de truques e de mezinhas que tornam as crianças as mais bem comportadas do mundo... Ou então não!

Durante a gravidez (e talvez por ela ter sido um pouco mais complicada do que eu poderia esperar...), acabei por não ler tanto como gostaria. Apenas depois do bebé nascer e já com alguns meses, comecei a ler um pouco mais sobre parentalidade e tudo o que com ela se relaciona. Só mais recentemente, e depois de aderir ao grupo no Facebook Escolas Alternativas, Comunidades de Aprendizagem e Educação em Portugal (adicionada por uma amiga muito curiosa nestes assuntos e que, depois da maternidade, decidiu mudar o seu rumo... Boa, corajosa!!), é que descobri o significado de termos como Montessori, Waldorf, Movimento Escola Moderna ou Reggio Emilia. Foi graças ao grupo também do Facebook Mães OMS - Apoio à Amamentação que soube mais sobre amamentação e que a Unicef e a OMS possuem manuais sobre a amamentação que nos podem ajudar nas fases mais difíceis bem como descobri o termo CAM que tão somente significa Consultora de Amamentação: pequenos anjos que nos podem ajudar naqueles momentos em que podemos estar a pensar em desistir de amamentar. Com o aproximar dos seis meses de idade do bebé e da chegada do momento de introdução da alimentação complementar, descobri também que esta introdução não se deve limitar a papas e sopas e que o mundo do Baby Led Weaning está mesmo aí à espreita e que pode ser uma forma muito útil de introduzir a alimentação e de despertar o interesse pelos alimentos desde muito cedo. Descobri diversos blogs como o Na Cadeira da Papa (a autora do livro Mãe, quero mais!), as Papinhas da Xica, a Pitada do Pai ou, mais recentemente, o Healthy Bites (de uma amiga que consegue ter a capacidade de inventar as mais incríveis receitas paleo para toda a família).

Sim, isto da maternidade e parentalidade pode mesmo ser um verdadeiro mundo que nos pode encher ainda de mais dúvidas. Leva-nos a questionar. Parece-nos que tudo é uma moda e que não nos faz sentido. Parece-nos que, para que tudo corra bem, temos de ser cegas seguidoras desta ou daquela abordagem. Chegamos ao final do dia esgotadas, perdidas, sem saber o que fazer e sem paciência para os miúdos e graúdos lá de casa. Quando nos fixamos demasiado em ideais cor-de-rosa que acompanhamos nesta ou naquela rede social, em ideias pré-concebidas ou em preconceitos (porque na maternidade também os há!), acabamos por nos perder de nós próprias e das "nossas pessoas" que vivem connosco. Deixamos de ter a capacidade de agradecer todos os dias pelo que a vida nos dá. A vida não tem uma checklist para se cumprir. Muito longe disso! A vida é feita de surpresas a cada segundo onde os piores planner freak se perdem e ficam com todos os planetas desorientados. Não há receitas infalíveis para seguir passo a passo. Não há espaço para regras rígidas ou imposições demasiado fechadas.

Há sim espaço para o colo, o apego desde o acordar até ao deitar, ao mimo e ao beijo por tudo e por nada. Há que haver a resiliência suficiente para nos permitir ultrapassar aquilo que não foi planeado e que está para além dos riscos que delimitam a estrada. Há o dizer "sim" quando todos esperavam um "não" ou fazer exactamente o contrário. Há que conseguir garantir tempo de família de qualidade, sem interrupções tecnológicas, em que se cultive o apego, o amor, o cuidado e o respeito pelo próximo. Porque a parentalidade deve ser isto! E tudo o mais que cada família considere para si!

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