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Porque é impossível não escrever...

Pedrógão Grande.

Desde sábado que estas duas palavras fazem parte do meu pensamento, da nossa consciência enquanto povo e das nossas preces, para quem acredita.

Pedrógão Grande.

Desde sábado que estas duas palavras são sinónimo de perda, de sonhos interrompidos, de vidas abruptamente terminadas... De desalento. De tristeza. Mas também de entrega total aos desconhecidos pelos bombeiros que combatem ininterruptamente este incêndio que teima em não dar tréguas.

Pedrógão Grande.

Desde sábado que estas duas palavras estão associadas a rostos que vamos conhecendo pouco a pouco. De novos ou de menos novos. De famílias. De pais e de filhos. De histórias que ficam por contar.

Pedrógão Grande.

Desde sábado que estas duas palavras nos mostram o quanto somos pequenos. Que nos mostram o quanto podemos ser impotentes contra uma força da natureza. Que nos mostram o quanto nos devemos entregar às nossas pessoas e sermos gratos todos os dias pela vida que temos. E que nos mostram o quanto tudo pode mudar em segundos e quantas palavras podem ficar por dizer aquelas pessoas que nos são tão importantes...

É por isso que desde sábado que não consigo deixar de olhar para o meu filhote com angústia pela consciência do quanto tudo pode mudar em menos de nada. É por isso que desde sábado que o abraço a ele e ao pai dele ainda com mais força do que já fazia. É por isso que desde sábado que a minha gratidão é ainda mais consciente. E é por isso que desde sábado que tenho ainda mais presente que as nossas prioridades nunca devem ser o trabalho e as coisas mais supérfluas. Deve ser sim a nossa família e as nossas pessoas que são essas as únicas que importam e as únicas às quais nos devemos dedicar sem olhar a meios. Por que o corre-corre do dia-a-dia deixa-nos, muitas vezes, toldados e acabamos por perder tempo com coisas que não interessam. Aquele carro que se atravessou à nossa frente no trânsito e a quem buzinámos. Aquela pessoa menos educada que nos passou à frente na fila para o autocarro ou no supermercado. Aquele colega que não interessa a ninguém e cujo passatempo preferido parece ser importunar todos à sua volta. Porque esses nada interessam e não são esses que nos preenchem o coração. Não é nesses que devemos concentrar as nossas energias. Dediquem sempre as horas do vosso dia aqueles de quem mais gostam. Digam-lhe o quanto os amam. Digam-lhe o quanto sentem a falta deles. E, acima de tudo, abracem-nos sempre antes de saírem de casa e antes de irem dormir. Dêem-lhe aquele beijinho repenicado que eles merecem e muitos mais.

Porque tudo muda num segundo e devemos ser gratos. Todos os dias...

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